NOSIGNER: Design Social

NOSIGNER: Design Social

Luminária feita com casca de ovos, da Nosinger

“No futuro
todos serão famosos por 15 minutos”, a célebre e profética frase de Andy Warhol
antecipou em décadas o fenômeno da exposição potencializada em grau
(talvez) máximo na cultura contemporânea com os perfis em redes sociais e os
selfies.
A fama,
independente de sua amplitude, deixou de ser uma consequência ou mérito e
tornou-se um objetivo, um produto.
Na
contramão desse movimento global alguns artistas vem abrindo mão dos holofotes
em favor de suas criações. É o caso de grandes escritores contemporâneos como o
norte americano J. D. Salinger (falecido em 2010) e os brasileiros Ruben
Fonseca e Dalton Trevisan.
Na
arquitetura temos o exemplo de Peter Zumthor, ganhador do Pritzker 2009 ( o
Nobel da Arquitetura), eu vive recluso em uma aldeia com menos de 1.000
habitantes nos Alpes suíços.
Eisuke Tachikawa do
estúdio Nosigner
Indo muito
além nessa linha de pensamento, o jovem arquiteto japonês Eisuke Tachikawa do
estúdio de design Nosigner, vem redefinindo o papel do designer “como
alguém que não precisa de ser famoso, mas funcional e cooperativo”.
O Nosigner
é um coletivo de design social que reúne diversos profissionais e colaboradores
que preferem o título de “nosigners” ao de “designers”.
Um exemplo
do que eles definem como design social é o projeto “open source” criado para o
novo escritório da Mozilla no Japão e que tornou-se viral na internet. Toda a documentação
do projeto está disponível na rede em PDF e pode ser baixada e facilmente recriada
por qualquer pessoa. 

Na mesma
linha eles criaram também projetos com tutoriais compartilhados como o do banco
Olive (para ajudar os sobreviventes do terremoto e tsunami de Sendai de 2011) e
a linha de jóias Ocica (para ajudar recuperação de Tohoku após o terremoto).
O primeiro
projeto de Eisuke Tachikawa, quando montou seu escritório independente, foi uma
luminária feita com macarrão e que qualquer pessoa pode fazer. E essa foi a
linha de trabalho que deu origem à Nosigner, combatendo uma das bases do
capitalismo.
Segundo
Tachikawa, “perdemos a nossa imaginação para a criação após a idade de produção
em massa, provocada pela Revolução Industrial. Nós compramos as coisas ao invés
de fazê-las. Eu acredito que o futuro do design de produto será semelhante à
antiga cultura da criação. Vamos fazer as coisas em vez de comprar, da mesma
forma que cozinhamos em nossa casa.” 
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