Arquitetura Inclusiva

Arquitetura Inclusiva

Arquitetura Inclusiva é um tema complexo. Hoje em dia o termo “inclusivo” é muito extenso e pode abranger diversos aspectos nos mais variados segmentos.
Quando queremos incluir alguém em determinada situação pensamos logo na personalização do espaço. Se dotarmos o ambiente com algumas características, podemos “incluir” algumas e “excluir” outras.
O que seria então o ambiente “arquitetonicamente” correto? Esta pergunta tem infinitas respostas.


Podemos adotar a arquitetura universal como uma tendência que veio para ficar. Dentre suas características enquanto espaço, a aplicação de materiais específicos também deve ser respeitada.
A falta de acessibilidade é a principal barreira enfrentada por pessoas que convivem com algum tipo de deficiência nas grandes cidades brasileiras. Nós profissionais da área de projetos somos responsáveis pela definição e implantação de políticas públicas que permitam aos que têm mobilidade reduzida se locomoverem com autonomia e independência.


A inclusão e a acessibilidade – e não somente de deficientes físicos, mas de idosos, obesos e gestantes – não é preocupação apenas de setores da sociedade brasileira. A Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, pede o empenho dos Estados para assegurar a inclusão e a participação plena destas pessoas em todos os aspectos da sociedade.
Hoje atendo clientes de todos os perfis e idades, e todos convergem para uma situação em comum, qualidade dos espaços, facilidade de manutenção, acessibilidade garantida, aspectos de qualidade, durabilidade, adequabilidade e conforto, e é claro muita praticidade, porém não são todos os terrenos e edificações que permitem um projeto com fácil acessibilidade.
Em muitos casos temos que adotar dispositivos mecânicos, diminuição de número de pavimentos dentre outras características para conseguir espaços mais amplos, rampas, locais de elevadores e áreas de circulação maiores.


O mercado imobiliário está mudando também com foco nesta população que não quer investir muito em um imóvel que vai perder sua “validade” em um curto espaço de tempo. O aumento da expectativa de vida faz com que a idade avançada seja um motivo para a busca por espaços mais seguros. E porque não buscar ou projetar estes espaços enquanto jovens? Este raciocínio torna o bem imóvel mais útil por mais tempo e pode atender por muitos anos a mesma família, ou ainda garantir maiores possibilidades em caso de venda.
A busca por espaços menores, mais práticos, com funcionalidade e acessibilidade garantida, somada aos dispositivos de tecnologia da construção que promovem mais segurança e controle deve ser uma premissa básica para qualquer projeto.


Características que promovam flexibilidade e capacidade do ambiente em adaptar-se às condições que se alteram, como uma mudança na estrutura familiar, uma deficiência temporária ou permanente, uma limitação do usuário do ambiente construído, deve ser conciliada ao custo de um projeto, e não só a questão financeira deve pesar.
Hoje o bom senso e a capacidade de se projetar pensando em espaços privados e de uso coletivos “arquitetonicamente corretos” devem prevalecer levando-se em conta o convívio e a interação entre as pessoas.

 

Artigo publicado na minha coluna no Jornal de Jundiaí, https://goo.gl/Ezka8F

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